Hoje o sol foi acordado pelo som de milhares de passos acompanhados de cantos e gritos de guerra por todos os lados.jpg)
Hoje o sol foi acordado pelo som de milhares de passos acompanhados de cantos e gritos de guerra por todos os lados.jpg)
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passageiros, o assunto era quase sempre o mesmo; futebol, tempo, novela, o preço do pão, do leite, o assalto, qualquer coisa era um bom motivo para conversar e passar o tempo. Muitas vezes ele se mostrava interessado no tema e até dava palpite sobre este ou aquele assunto. Na maioria das vezes a opinião que expressava era a que estava estampada na manchete do jornal. Descia no mesmo ponto e tomava café na mesma lanchonete.
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Que brinquedo é aquele
que a criança brinca ?
que brincadeira e esta que o poeta pinta
quem brinca como palavras
nao vê a vida ?
Quem brinca como o que a criança brinca
realmente enfrentam a vida ?
Que olhar é aquele que me contempla ?
que vida é esta que seguem em fila ?
que fila é esta que se multiplica ?
Por que se espalha pelas periferias ?
Que vida é essa que a criança abraça ?
que passo é esse que segue em frente ?
que marcas deixará por onde passa ?
Quem olha por nossa gente ?
São crianças que apenas brincam
em um dia comum na periferia
são crianças que apenas brincam ?
isso é comum na periferia ?
Quem pintou esse quadro
é o mesmo que faz perguntas ?
quem acha algo errado
é o mesmo que foge da luta ?
quem esta abandonado
são somente os que estão na rua ?
quem ficará calado
será o mesmo que não se preocupa?
Tantas perguntas para apenas uma imagem que vi na rua !
(local :Almirante Tamandaré Pr. OBS: foto que registrei no bairro Nova Morada )
Vejo Crianças subindo aos céuEu sem entender por que elas partiram tão cedoPartem antes do sinal tocarO que fariam no recreio ?Qual seria o segredo que nesta compartilhado manhã ?Que brincadeira deixo de acontecer ?Vejo crianças subindo ao céuFecho os olhos e vejo-as subindo ao céuFico sem entender nadaSinto dor em meu peitoVejo nascendo em cada uma delasas asas de anjos que foram na terravejo que agora elas tem asas mas não querem voarelas não querem partirestão imóveis entre o Céu e a terraentre as nuvens e o pátio da escolaEstou confusoOnde erramos ?Vejo-as parada no céuolhando-noscom olhos de criançasolhos ainda assustadosEu estou confusoErramos onde ?Não se cala dor tão forte em meu peitoChoro imaginado o choroEu grito ouvindo os gritosMe calo fazendo uma preceOnde erramos ?Estou confusoAs palavras saem perdidassem rumosbuscando sentidoOnde nada faz sentidoVejo Crianças subindo ao céuElas partem cedoantes de bater o sinalelas partem eu não entendoEstou confusoElas partem e ficam em mimCélio Roberto (Jamaica) Pereira de Oliveira
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Fomecidio já!
CELIO ROBERTO (JAMAICA) DE OLIVEIRA
Existe uma cidade com um
belo nome
com um prefeito de sobre-nome
vindo de uma família renome
que dao nome a ruas ,praças e hospitais
nesta cidade existe um rua sem nome
em que vive um homem sem vida
na vida deste homem vive a fome
que não tem força para devora a sua não-vida
Famintos por moradia outros tantos ocuparam
um terreno vazio que nao estava usado
da noite para o dia
deste terreno vazio nasceu varios barracos
e no outro dia apareceu um Sobre-nome para despeja-lo
o sobre-nome chegou acompanhado
de policiais fortemente armados
que chegaram derrubando barracos
e o povo não entendeu o falar dos advogados
Mas a fome era tanta que do meio do povo levanta
Dona maria Sem tento da Silva
um mulher-catadora-mae que sozinha
educava tres filhos e duas filhas
que não se orgulhava por passar o mesmo sobrenome
para suas tres netinhas
lenvanta-se do meio multidão
faminta por justiça
desejosa por moradia
segue em direção
daqueles agora estavam invadindo
a terra que agora erra sua por aclamação
O povo se revolta e a segue
Uma bandeira se ergue
e ergue-se um povo faminto
um canto que estava esquecido
é entoado
o o “brado de um povo heroico”é reconhecido.
A impressa chega e registra
“Povo se organiza e ganha terra do deputado”
foi o que estampou a noticia
e o parlamentar foi pela empresa omenageado
O ano era de eleição
“e se eleito urbanizo essa ocupaçao”
e isso soou falso no caração de dona maria
mas como já se sabia
ele foi reeleito
e como era do mesmo grupo do prefeito
não lembrou mais do caminho que leva a periferia
Assim nasceu o bairro sem nome
que sem nome tambem ficou a rua
que sem cidadania ficaram as mulheres
crianças e homens
que vivem neste bairro porque alguém ousou
lutar contra a fome
Agora o que os mata todos os dias
é fome por outro tipo de justiça
e a fome de saude
fome de educação
fome de respeito
fome de arroz e feijão
fome de nao ter tanta fome
mas dissem que um homem
esta mobilizando a comunidade
para matar a fome
ele caminha pelas ruas do bairro
com a mesma bandeira da dona Maria
ele passa e deixa o recado
“Fomecidio já !” e é seguido pela maioria
feriferias do brasil juntas vão gritar ;
“Fomecidio já! ”
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A uma menina que vi na rua
Celio Roberto (Jamaica) Pereira de Oliveirai
A vida que marcou a negra pele
Não foi construída, foi herdada
Não recebeu nada na partilha
Alem da parte que não lhe cabia
Não teve a terra onde produzia
Nem arroz e o feijão que plantava
Não teve nada alem do nada que já possuía
Quando deixou a senzala
Na cidade cinza onde pés negros caminham
E barrigas negras de mães negras
Famintas
Vasculham os cantos buscando comida
Não vê que dentro da barriga
Da negra menina gesta outra menina negra
A menina do olho da menina
Da negra menina que olha a vida
Não vê que a comida que não tem hoje
É a parte que foi negada no tempo da partilha
Não sabe escrever uma linha
Não sabe entender sua vida
E mesmo assim escreve
Cada capitulo de sua historia sem ter tinta
E cidade se pinta de arco-íris todos os dias
Pinta-se e diz que é arco-íris
Que é multicor
E todos os dias a menina se torna mais sem cor
O IBGE não perguntou o que sabia de cor
E a menina na respondeu por que não sabia
Não sabia que a cor que a sua pele trazia
Que a salário que nunca teve
Que o gênero que Deus lhe deu
Que casa que não tinha
Não interessa para estatísticas
A menina faminta caminha
Suas pernas pretas finas
Cambaleiam na avenida
A menina preta caminha
Suas finas pretas pernas
Cambaleiam
E desabam na avenida
A cidade cinza não vê a menina
O asfalto preto como manjedoura
No fim de um velho dia
Da barriga faminta
Que não estava somente cheia de fome
Nasce outra menina
Sem nome
Sem pai
Sem sorte
e
Já sem vida
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