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quinta-feira, 8 de março de 2012

Mais um Passo

 Hoje o sol foi acordado pelo som de milhares de passos   acompanhados de cantos e gritos de guerra por todos os lados
cada passo era seguido para milhares de outros passos 
e cada centímetro conquistado era comemorado com mais um passo
e de passo em passo elas ocuparam diversos espaços 
fixaram marcos e seguem em frente ...Com as  bandeiras erguidas
de salto,descalças, de chinelos 
elas vão escrevendo um futuro mais certo 

que a cada passo fica mais perto.


      


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Minha mãe gosta de chuva

 
Minha mãe gosta de chuva

Quando chove ela vem á porta Coloca a cadeira na varanda
 fica  olhando as plantinhas tomarem banho

ela se admira com a chuva
e com o jardim que ela mesma plantou

muitas vezes a encontro conversando  ao pé do canteiro
Ela se aproxima
Se eleva a altura de seu jardim
E começa a cantarolar canções que somente as mamães sabem encantar flores
Ela as encanta e se encanta com o cantar que elas fazem a  se balançarem ao vento

ela fala “fiio vem cá ver que  já nasceu outro brotinho  
eu olho o canteiro e tento ver o mundo com os olhos que minha mãe vê
e acabo descobrindo que se leva anos para entender que todo o universo esta ali no jardim
que a chuva banha as plantinha
que o vento faz as samambaias  dançarem  
que a casca  da  banana  ajuda a deixar o universo mais bonito
e que a chuva no teiado é bunito di mais 


                                                                                               Celio Roberto (Jamaica )Pereira de Oliveira 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O poema mais lindo

























Mãe ,fiz um verso bem pequeno 
Maior que toda poesia 
escrevi seu nome 
no meio de uma linha 
e toda folha ganhou vida.  
  Celio Roberto






                      

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Princesa-curitiba



A pele cobre o corpo
Corpo de pessoas multicor
Cor negra, branca ,amarela
e cinza ..

Pele cinza cobre o prédio Prédio de alma cinza
Prédio de gente cinza
Que não vê a pele azul do céu Cinza de Curitiba

A pele negra cobre o corpo do menino sem camisa
Que dorme na marquise cinza da casa cinza de apoio
aos meninos e meninas de Pele multicor
que menino de pele negra não pode entrar .

Não pode entrar porque os de pele Cinza-Curitiba
negam a existencia da pele Negra-Curitiba
Eles acreditam em OVINI em Inri Cristo que caminha aqui
mas não acreditam que exista pele Negra-Curitiba

Certa vez uma menina de pele Negra-Curitiba
Ouso sonhar em ser princesa no teatro Guaira
Guaira é nome indigena mas pele Indigena-indigena
não se apresenta e nao é  bem quista em curitiba

A menina Negra-Curitiba sonhou em ser princesa
destas de contos de fadas com principe e tudo
mas a cidade Cinza-Curitiba só aceita se ela for bruxa ou pedra
Pedra para ela não era sua sina,nasceu para ser Princesa negra-Curitiba

No grande dia,uma festa colorida se fez em frente ao Guaira
Cinza-Curitiba de chapéu com laços e fitas
ruas e esquinas tomada pelo cinza-Curitiba
e a menina negra-Curitiba com sua família negra-Curitiba
chegou de onibus em frente ao Guaira
não tinha a carroagem que sonhara
nem cavalos ou pones alados que ela imaginava
Ela tinha aquilo que o Cinza-Curitiba negava

Teatro é magico ... Primeiro ato menina dançam no palco
aplausos ecoa na plateia ,pais pendem bis
segundo ato uma pedra em cena e dentro dela uma pequena
que fica imovel ,estática ,fica pedra parada

Quem será a pequena imovel no centro do palco ?
Para espanto da plateia não era ela
a pedra estava vazia ...

O espanto foi maior
quando entrou pelo corredor de vermelho manto
um senhor negro-Curitiba trazendo no ombro
a princesa pequenina …

Ela lá do alto sorria: boa noite para quem é de noite
bom dia para quem é de bom dia
e ela ria …

Seus suditos ,calados e mudos
eles eram muitos
calados e mudos
não segos não surdos
eles todos mudos sujos preconceito
até que um quebra o silêncio

Quem ousadia dessa menina vir vestida de Princesa-curitiba
onde já se viu uma Negra-Curitiba vestida deste modo
outros tantos balançaram a cabeça concordando
negra-Curitiba não deve ousar tanto

A princesa Negra-Curitiba curitiba não pode ser princesa no Guaira
mas do alto dos ombros que a conduzia
ela era a mais linda Princesa-curitiba

Algo vai mudar ... Pensou a princesinha 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dar com os ombros


Um dia falaram de mim
e de minhas poesias
eu farei assim
e direi:
 tenham um bom dia ! 


sábado, 7 de maio de 2011

Dia das Mães

Dia das Mães

Vi mãe e filho conversando
ele falava algo profundo
estava falando que ela
era a melhor mãe do mundo

Pobre criança sem saber o que dizia
claro que a melhor mãe do mundo é a Minha !

Celio Roberto( Jamaica )Pereira de Oliveira

terça-feira, 26 de abril de 2011

Foi sempre assim...

Foi sempre assim...



Célio Roberto ( Jamaica ) Pereira de Oliveira*


Marcos todas as manhãs, fazia o mesmo trajeto. Saia de casa, descia a rua das amoreiras, caminhava até a banca de jornal e lia as manchetes principais. Pegava o mesmo ônibus todos os dias e quase sempre se sentava no mesmo lugar. Quando estava de bom humor conversava com outros passageiros, o assunto era quase sempre o mesmo; futebol, tempo, novela, o preço do pão, do leite, o assalto, qualquer coisa era um bom motivo para conversar e passar o tempo. Muitas vezes ele se mostrava interessado no tema e até dava palpite sobre este ou aquele assunto. Na maioria das vezes a opinião que expressava era a que estava estampada na manchete do jornal. Descia no mesmo ponto e tomava café na mesma lanchonete.
- Pingado?
- Café preto.
- Açúcar
- Adoçante.
Chegava ao trabalho às 07h45min, caminhava até a sua mesa no final corredor de onde só se levantava às 12 horas.
- Marcos você vem? Hoje vamos almoçar no restaurante lá perto da rodoviária!
A resposta era sempre a mesma. “podem ir que depois se der eu apareço lá” e nunca ia. Na verdade ele gostava de almoçar no restaurante que ficava na esquina da empresa, por que era o único lugar no centro da cidade onde ele se sentia à vontade. Tinha uma mesa reservada para ele que ficava próxima da janela com vista para o fundo cinza de um prédio comercial. Era sempre o mesmo ritual, ele entrava no restaurante por volta das 12h10min ia ao banheiro lavava as mãos, e se sentava na cadeira que ficava voltada para a janela. Não gostava de companhia enquanto almoçava. Todo o dia depois de almoçar ele atravessava a rua e ia se sentar no mesmo banco da praça, de onde por 25 minutos contemplava o mundo ao seu redor. As pessoas que freqüentava aquela praça já começavam formular teses sobre aquele misterioso homem sentado no banco próximo ao pé de aroeira. Uns diziam que ele era um solitário que morava nas proximidades, outros diziam que era um escritor falido que agora vivia no anonimato. Havia também que os que defendiam a tese de que ele era um ator que fez muita fama na década de 80 e que agora não consegue contrato para trabalhar nas novelas globais. Esse comentário nunca chegou a seu conhecimento.
Numa quarta-feira ele fez tudo exatamente igual, saiu de casa no mesmo horário, pegou o mesmo ônibus, sentou no mesmo banco, teve o mesmo dialogo na lanchonete, chegou à empresa no mesmo horário e se dirigiu para mesma sala no final do corredor. Fez tudo como exatamente fazia há mais de quatro anos.
Almoçou no mesmo restaurante e atravessou a rua e foi em direção do mesmo banco. Para seu espanto tinha um outro homem sentado no seu lugar predileto. Durante alguns segundos ele analisou aquela situação e percebeu que havia outros bancos desocupados na praça e que não tinha explicação o homem escolher sentar-se logo no seu banco que foi companheiro de muitos anos.
- Boa tarde
- Boa tarde. Respondeu o homem sem tirar os olhos do livro.
- Você poderia escolher outro lugar para ler, porque este aqui é meu.
- Desculpe, não entendi.
- É que eu sento neste banco todos os dias, de segunda à sexta...
- Bom, mas como você pode ver este lugar já está ocupado.
- Sim, mas é só o senhor ir se sentar naquele banco ali
- Ai você vem e se senta neste banco aqui
- Isso mesmo
- Não.
- Como assim?
- Eu tenho os mesmos direitos que você de ocupar este espaço aqui
- Não quero saber se você tem ou não os mesmos direitos que eu. O que eu quero é que você saia do meu lugar.
- Hoje eu sou tão cidadão quanto você. Se caso estivéssemos na Roma antiga, tudo bem, ai você teria privilégio, pois naquela época meu amigo, o direito de exercer a cidadania era explicitamente restrito a determinadas classes e grupos sociais. Hoje somos iguais.
- Acredito que o senhor não está me entendendo, a minha preocupação não é a Roma antiga. Eu quero sentar no meu banco.
- Você esta vendo estas pessoas que estão passando ai, muita delas não sabem que na declaração Universal dos Direitos Humanos e na Constituição federal têm artigos que garantem o direito de igualdade.
- tudo bem, mas onde?
- no art. 7, da Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos art. 3º, 4º e 5º, da constituição da Republica Federativa do Brasil
- não foi isso que eu perguntei. Eu quero saber onde você vai sentar!
- Vou permanecer sentado aqui mesmo mais ou menos uns 40 minutos.
- Você não pode... 40 minutos é muito tempo. Agora são 12h35min não posso esperar mais 40 minutos. Você poderia ir se sentar em outro banco, já que este banco é meu?
- Este banco é publico!
- Mas eu me sento ai todos os dias!
- Você estava aqui quando eu cheguei?
- Não, mas eu estava vindo.
- Mas não tinha chego aqui ainda
- Não importa
- Importa sim, o banco, a praça, aquele bebedouro ali... São todos patrimônios públicos. Todos têm direitos de usar. Mas cada um no seu tempo. Imagine se todas as pessoas que estão passando por esta praça resolvessem tomar água ao mesmo tempo no mesmo bebedouro ou se todos resolvessem jogar bola naquela quadra ali. Isso ia se tornar um caos. Por isso temos que estabelecer regras
- Não estou aqui para beber água nem para jogar bola, o que eu quero e me sentar.
- Existe mais de seis bancos nesta praça e você quer logo neste?
Marcos olhou no relógio e avaliou que se continuasse naquela discussão não chegaria ao trabalho no horário de sempre. Antes de voltar correndo para o seu posto de trabalho deu a ultima palavra.
- Amanha estarei aqui e quero me sentar em meu lugar, pobre de quem estiver sendo neste banco!
Na quinta-feira ele fez tudo exatamente igual e depois do almoço caminhou ate a praça e encontrou o banco vazio com uma placa dizendo “tinta fresca”, ele permaneceu em pé sem saber o que fazer.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Simplismente Vida: Hoje é o dia do índio

Simplismente Vida: Hoje é o dia do índio

Hoje é o dia do índio

Hoje é o dia do índio.

Na Numa escola de Curitiba,Paranagúa, Piraquará ou Guarapuava (não se sabe ao certo )
a professora pintou a cara dos alunos e um aluno perguntou :
- Professora porque pintamos a cara ?
e ela ainda pintou ou outros alunos disse:
pintamos a cara de vergonha.
Vergonha por termos abaçai e sermos poucos abaetê.
Pintamos a cara por não conseguimos olhar na cara de um curumim e dizer que este país tambem é dele,pintamos cara de vergonha!
O aluno mais de pressa pegou a o pote de tinta guache da mão da professora e disse :
Deixa-me ajudar e saiu em direção a Brasilia.

Celio Roberto (Jamaica) Pereira de Oliveira


Simplismente Vida: Fomecidio já!

Simplismente Vida: Fomecidio já!

Simplismente Vida: Escola Tasso da Silveira

Simplismente Vida: Escola Tasso da Silveira

Simplismente Vida: Brincadeira de criança

Simplismente Vida: Brincadeira de criança

sábado, 16 de abril de 2011

Brincadeira de criança

Que brinquedo é aquele

que a criança brinca ?

que brincadeira e esta que o poeta pinta

quem brinca como palavras

nao vê a vida ?

Quem brinca como o que a criança brinca

realmente enfrentam a vida ?


Que olhar é aquele que me contempla ?

que vida é esta que seguem em fila ?

que fila é esta que se multiplica ?

Por que se espalha pelas periferias ?


Que vida é essa que a criança abraça ?

que passo é esse que segue em frente ?

que marcas deixará por onde passa ?

Quem olha por nossa gente ?


São crianças que apenas brincam

em um dia comum na periferia

são crianças que apenas brincam ?

isso é comum na periferia ?


Quem pintou esse quadro

é o mesmo que faz perguntas ?

quem acha algo errado

é o mesmo que foge da luta ?

quem esta abandonado

são somente os que estão na rua ?

quem ficará calado

será o mesmo que não se preocupa?



Tantas perguntas para apenas uma imagem que vi na rua !

(local :Almirante Tamandaré Pr. OBS: foto que registrei no bairro Nova Morada )

Escola Tasso da Silveira

Escola Tasso da Silveira

Em memória das 12 almas de Niterói

Vejo Crianças subindo aos céu
Eu sem entender por que elas partiram tão cedo
Partem antes do sinal tocar
O que fariam no recreio ?
Qual seria o segredo que nesta compartilhado manhã ?
Que brincadeira deixo de acontecer ?
Vejo crianças subindo ao céu


Fecho os olhos e vejo-as subindo ao céu
Fico sem entender nada
Sinto dor em meu peito
Vejo nascendo em cada uma delas
as asas de anjos que foram na terra
vejo que agora elas tem asas mas não querem voar
elas não querem partir
estão imóveis entre o Céu e a terra
entre as nuvens e o pátio da escola

Estou confuso
Onde erramos ?

Vejo-as parada no céu
olhando-nos
com olhos de crianças
olhos ainda assustados

Eu estou confuso
Erramos onde ?

Não se cala dor tão forte em meu peito
Choro imaginado o choro
Eu grito ouvindo os gritos
Me calo fazendo uma prece


Onde erramos ?
Estou confuso

As palavras saem perdidas
sem rumos
buscando sentido
Onde nada faz sentido

Vejo Crianças subindo ao céu
Elas partem cedo
antes de bater o sinal
elas partem eu não entendo


Estou confuso

Elas partem e ficam em mim

Célio Roberto (Jamaica) Pereira de Oliveira

Fomecidio já!

Fomecidio já!


CELIO ROBERTO (JAMAICA) DE OLIVEIRA


Existe uma cidade com um

belo nome

com um prefeito de sobre-nome

vindo de uma família renome

que dao nome a ruas ,praças e hospitais


nesta cidade existe um rua sem nome

em que vive um homem sem vida

na vida deste homem vive a fome

que não tem força para devora a sua não-vida


Famintos por moradia outros tantos ocuparam

um terreno vazio que nao estava usado

da noite para o dia

deste terreno vazio nasceu varios barracos

e no outro dia apareceu um Sobre-nome para despeja-lo


o sobre-nome chegou acompanhado

de policiais fortemente armados

que chegaram derrubando barracos

e o povo não entendeu o falar dos advogados

Mas a fome era tanta que do meio do povo levanta

Dona maria Sem tento da Silva

um mulher-catadora-mae que sozinha

educava tres filhos e duas filhas

que não se orgulhava por passar o mesmo sobrenome

para suas tres netinhas


lenvanta-se do meio multidão

faminta por justiça

desejosa por moradia

segue em direção

daqueles agora estavam invadindo

a terra que agora erra sua por aclamação


O povo se revolta e a segue

Uma bandeira se ergue

e ergue-se um povo faminto

um canto que estava esquecido

é entoado

o o “brado de um povo heroico”é reconhecido.


A impressa chega e registra

“Povo se organiza e ganha terra do deputado”

foi o que estampou a noticia

e o parlamentar foi pela empresa omenageado


O ano era de eleição

“e se eleito urbanizo essa ocupaçao”

e isso soou falso no caração de dona maria

mas como já se sabia

ele foi reeleito

e como era do mesmo grupo do prefeito

não lembrou mais do caminho que leva a periferia


Assim nasceu o bairro sem nome

que sem nome tambem ficou a rua

que sem cidadania ficaram as mulheres

crianças e homens

que vivem neste bairro porque alguém ousou

lutar contra a fome


Agora o que os mata todos os dias

é fome por outro tipo de justiça

e a fome de saude

fome de educação

fome de respeito

fome de arroz e feijão

fome de nao ter tanta fome

mas dissem que um homem

esta mobilizando a comunidade

para matar a fome

ele caminha pelas ruas do bairro

com a mesma bandeira da dona Maria

ele passa e deixa o recado

“Fomecidio já !” e é seguido pela maioria

feriferias do brasil juntas vão gritar ;

“Fomecidio já! ”


A uma menina que vi na rua

A uma menina que vi na rua


Celio Roberto (Jamaica) Pereira de Oliveirai


A vida que marcou a negra pele

Não foi construída, foi herdada

Não recebeu nada na partilha

Alem da parte que não lhe cabia


Não teve a terra onde produzia

Nem arroz e o feijão que plantava

Não teve nada alem do nada que já possuía

Quando deixou a senzala


Na cidade cinza onde pés negros caminham

E barrigas negras de mães negras

Famintas

Vasculham os cantos buscando comida

Não vê que dentro da barriga

Da negra menina gesta outra menina negra


A menina do olho da menina

Da negra menina que olha a vida

Não vê que a comida que não tem hoje

É a parte que foi negada no tempo da partilha


Não sabe escrever uma linha

Não sabe entender sua vida

E mesmo assim escreve

Cada capitulo de sua historia sem ter tinta


E cidade se pinta de arco-íris todos os dias

Pinta-se e diz que é arco-íris

Que é multicor

E todos os dias a menina se torna mais sem cor

O IBGE não perguntou o que sabia de cor

E a menina na respondeu por que não sabia


Não sabia que a cor que a sua pele trazia

Que a salário que nunca teve

Que o gênero que Deus lhe deu

Que casa que não tinha

Não interessa para estatísticas


A menina faminta caminha

Suas pernas pretas finas

Cambaleiam na avenida


A menina preta caminha

Suas finas pretas pernas

Cambaleiam

E desabam na avenida



A cidade cinza não vê a menina

O asfalto preto como manjedoura

No fim de um velho dia

Da barriga faminta

Que não estava somente cheia de fome

Nasce outra menina


Sem nome

Sem pai

Sem sorte

e

Já sem vida




Para onde vamos ?

Dedico á

Michely Ribeiro da Silva,

Dona Ilda (minha mãe) ,

Evelin,Odara Luiza,Santinha e e

para todas a mulheres

faz parte desta marcha.

Vos mulher

voz de mulher

que não se cala

calou a voz

dos que gritavam .

Vos gritais com bandeira nas mão

com filho no colo

e com pés no chão

caminhas e segue sua sina

que é escrita com o suor de seu rosto

exposto em cartazes

em revista

e nas ruas

mulheres nuas de preconceitos

vão as ruas

despidas do medo

e são percebidas

seguidas e perseguidas

“uma rosa para Dona Maria da Dor

uma rosa para Dona Rosa

uma rosa para Dona Flor “

grita o pregão do vendedor de flores

Uma menina pergunta

-Mamãe para que tantas flores ?

a mãe responte sem abaixar a bandeira

para lembrar depois das flores vem frutos e semente

a menina pergunta para o vendedor ;

qual destas é a flores da justiça?

A marcha segue de sandálias ,

descalças e de unhas pintadas

com as cores de um novo tempo

cabelos soltos ao vento

armados ,presos trançados

braços dados bandeira em punho

na marcha quebram muros

e chegam a vida publica

Começaram a caminhar

antes mesmo que o fruto fosse plantado

antes que Joana fosse queimada

antes que a bruxa fosse perseguida

antes que a fabrica fosse trancada

antes do tempo ser conta em horas digitais

antes da constituição

muitas seguem esta marcha há muito tempo

e ainda hoje não pararam de caminhar

pois ainda há muito a avançar

e a menina pergunta para mãe ;

- Para onde vamos ?

Vamos seguir em frente minha filha.

Celio Roberto (Jamaica) Pereira de oliveira

sábado, 19 de maio de 2007

capitulo I NA NOITE DE NATAL


Enquanto a cidade toda comemorava o natal, no morro, Julinho estava sentado no telhado da casa, com uma caneta e um caderno nas mãos ,ele observava as luzes ,os fogos ,a festa que a cidade estava fazendo para saudar a chegada de papai Noel.
Julinho sempre foi uma criança comportada. Sua mãe trabalhava de doméstica de segunda a sábado num condomínio residencial de luxo. Embora o condomínio fosse de luxo o salário era de miséria.
O resto do almoço e da janta não podia ser servido para os cães, como a patroa sempre dizia ; "Para meus filhotes sempre o melhor". De certa forma esta exigência agradava a empregada, pois para a alegria da família ela podia trazer o resto para fazer o banquete da família. Julinho cresceu vendo a mãe levantar seis e meia da manha e voltar oito horas da noite.
O que mais Julinho temia, eram que sua mãe nunca mais voltasse para casa da mesma forma que seu pai nunca mais voltou. As lembranças que Julinho tem do pai são apenas as que estão em um álbum de fotografia que estava escondido debaixo da casinha do cachorro. No dia que seu pai partiu ,dona Ziza ,a sua mãe disse que ele foi trabalhar e que no outro dia já estaria em casa novamente. Os dias foram passando e nada do pai voltar .
Durante os dois primeiros meses depois da partida do pai , Julinho religiosamente as seis da tarde descia o morro correndo ,e ia se sentar na pedra branca de onde podia ver toda a movimentação das pessoas descendo do ônibus . E lá ele ficava até quando não podia ver mais os rostos das pessoas por causa da má iluminação da favela.Quase todas as noites ele voltava para casa triste, e sem dizer uma palavra, ia para o quarto chorar. Com o passar do tempo ele acabou criando a fantasia de que seu pai pertencia a ordem secreta de cavaleiros negros que tinha a missão de defender as crianças do mundo todo contra os monstros que viviam dentro do armário e debaixo da cama.Toda vez que alguém perguntava de seu pai ,ele enchia o peito e dizia – meu pai esta lutando contra monstros num país distante.
Dona Ziza nunca percebeu a capacidade que Julinho tinha de criar fantasia e também de acreditar nelas.Ele passava a maior parte do dia brincado sozinho , se pela manhã ele era capitão de um barco certamente na tarde ele seria o pirata que afundaria o barco. Todas as fantasias que Julinho criava de um jeito ou de outro, ele acabava finalizando no mesmo dia ou no mais tardar na mesma semana .
Certa vez Julinho decidiu que todas as formigas deveriam ter nome e nome de gente , com nome e sobrenome .Assim ele criou a imperatriz Maria de Fátima e Silva ,a primeira formiga saúva a governar um quintal povoado de monstros gigantes que falavam javanês. Maria de Fátima e Silva a primeira imperatriz da rua A numero 28 aprendeu a falar javanês com um besouro que foi feito prisioneiro na batalha do lixão. Esta batalha aconteceu na manhã de quarta-feira.Os besouros invadiram o formigueiro tentado resgatar a Princesa Cabeça-de-boneca-Careca, que caiu do céu direto no meio do formigueiro. Julinho viu quando a Imperatriz Maria de Fátima e Silva guiou orgulhosamente o seu exercito pelo terreiro. A fila enorme de súditos marchando em direção dos besouros, fez com que todo o jardim parasse para assistir a investida triunfante da imperatriz e seu magnífico exército.
Avante formigas– ela gritava em javanês para impressionar o general do exército inimigo.
Enfrente Besouros – O general gritava em javanês, que a sua segunda língua. Pois ele fora criado no quintal ao lado onde a linha materna era o chinês .Entre os insetos do jardim a fama do general era de um sujeito impiedoso e a vitória sobre as formigas corria de bico em bico dos pardais e colibris.
Durante quase quinze minutos ,Julinho contemplou e coordenou a vitória da Imperatriz Maria de Fátima e Silva e ajudou a fazer do general um prisioneiro de guerra.
Na tarde da mesma quarta-feira ,Juliano criou o maior dilúvio da historia da Vila nova Morada e destruiu o reino das formigas, e em seu lugar ele criou o exercito dos caramujos alados.
Na noite de natal, sua mãe chegou tarde do trabalho, Ficou para ajudar a patroa a fazer a ceia. A noite estava clara e o céu cheio de estrelas. Do alto do telhado Juliano viu quando o ultimo ônibus parou no pé do morro e dele saiu algumas pessoas, entre elas, dona Ziza.
Ela desceu do ônibus com duas sacolas nas mãos e Julinho já sabia que nelas continham a ceia que ambos iriam ter. Dona Ziza trouxe um peru, duas champanhas e uma caixa de panetone.
Quantas vezes eu te disse para não ficar ai em cima menino- gritou dona Ziza antes de chegar ao portão.
Julinho desceu do telhado sem dizer uma só palavra e foi direto para o banheiro lavar as mãos.
Ele percebeu que a magia do natal não havia contagiado a sua mãe. Ela estava com o rosto casado, quando entrou na casa. Sentou em uma das duas cadeiras que junto com a mesa,geladeira e o fogão preenchiam quase todo os espaços da cozinha. Pôs as sacolas na mesa e de cabeça baixa procurou forças para sorrir. Naquela hora da noite era quase impossível encontrar energia para um simples sorriso ou ate mesmo algumas palavras que transmitissem a alegria que esta data significa para uma criança de oito anos tem em comemorar o natal. Julinho saiu do banheiro com a toalha na mão e foi se sentar na porta de onde tinha a visão panorâmica da rua. Por algum tempo ambos ficaram calados,Julinho observava a festa que seus visinhos estavam fazendo, via como as outras crianças desfilavam com roupas e brinquedos novos. Para uma criança de oito anos,ele tinha uma outra visão de mundo,nunca chorou pedindo brinquedos ou roupas novas. Não gostava de ver TV e também não ia para a escola.
Dona Ziza levanta da cadeira, desembrulha as sacolas. Colocou o peru numa forma, e por alguns segundo ela avalia que melhor seria se ambos ceassem o que já estava pronto da noite anterior. Ela não levou mais de dez minutos para preparar a ceia. Arroz, feijão, macarrão e frango frito,não colocou os alimento em tigelas especiais como fizera na casa da patroa. Quatro panelas sobre o fogão. Vai se por acaso amanhã alguém resolve aparecer aqui- Pensou dona Ziza ao preparar o prato para o Juliano. Dona Ziza sempre guardava o melhor para o outro dia ,pois tinha a esperança que alguém viria para jantar, almoçar ou tomar café, e sempre acabava ela e o filho compartilhando de uma comida saborosa em silêncio. Um silêncio que parecia não incomodar nenhum dos viventes daquela casa.
Julinho pegou o prato das mãos da mãe e foi se sentar na porta para continuar vendo o movimento das pessoas na rua. O prato sobre as pernas magras, a colher descansava num canto do prato , com as mãos pequenas levava o frango até boca. Tal era o prazer que ele encontrava em comer aquele frango que todas as luzes da cidade parecia perder o brilho.
Dona Ziza voltou a sentar na cadeira e só se levantou quanto o prato do filho estava sobre a pia .Ela terminou de lavar a louça e foi se sentar no sofá da sala para assistir TV .
Juliano levanta,fecha a porta e as janelas, apaga a luz da cozinha, vai ate o quarto e pega um lençol para cobrir a mãe já adormecida no sofá. Desliga a televisão e no silêncio que tomou conta da casa, ele beija o rosto da mãe e diz baixinho em seu ouvido; "tenha um feliz natal".